terça-feira, 10 de abril de 2012

Vinte e quatro mortes violentas no 'feriadão' da Semana Santa




POR JULLY CAMILO

Durante o feriado da Semana Santa, da madrugada de sexta-feira (6) a madrugada de ontem, 24 corpos foram levados para o Instituto Médico Legal (IML), da capital maranhense. Desse total, dez eram vítimas de homicídios, dois de afogamento, seis de acidentes de trânsito, dois de suicídios, dois de envenenamentos, um por traumatismo craniano e outro ainda de causa desconhecida.

O primeiro caso foi registrado às 10h30, de sexta-feira (6), quando chegou ao IML o corpo de Alyson José Cordeiro, de 30 anos, morador da Rua da Quaresma, n° 6, Parque Vitória. Ele foi vítima de arma branca e o cadáver foi levado do local onde ocorreu o crime. No mesmo horário e também vítima de arma branca, foi conduzido o corpo de Elton Cantanhede, 28, morador da Avenida 1, casa 2, Matões/Turu. Ele estava internado no Hospital Municipal Dr. Clementino Moura, o Socorrão 2. Daquela casa de saúde, no mesmo horário, saiu o corpo de Eduardo Costa Mendes, 20, vítima de arma de fogo. Ele residia a Rua do Campo, n° 19, Vila Magril.


    Alexandre Pablo foi vítima de acidente de trânsito no Bairro de Fátima 

                 

Por volta de 14h30, chegou ao IML o corpo de Raimundo Nonato dos Santos Neto, de 29 anos, morador da Rua 1, casa 68, Unidade 201, Cidade Operária, procedente do Socorrão 2, porém a causa da morte não foi identificada no livro de ocorrências. Às 20h, o corpo de Raylanderson Ribeiro do Rosário, 19, vítima de afogamento, teve registro no IML. O jovem residia a Rua 17 de Novembro, casa 37, Bairro da Campina, em São José de Ribamar. O corpo foi conduzido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), procedente daquele município. Às 23h25, transferido da Rua Machado Silva, n° 8, da Vila Ariri, chegou ao IML Raimundo Negreiros de Freitas, 55, vítima de enforcamento. E, por volta de 23h30, foi registrada a morte de Raimundo Araújo Costa Junior, 38, morador da Rua São Miguel, n° 10, do São Raimundo/Anjo da Guarda, oriundo do Socorrão 2, vítima de arma de fogo.

À 1h30, de sábado (7), José de Ribamar de Castro Silveira, 44 anos; e sua filha Verony Costa Silveira, 11, foram vítimas de acidente de trânsito, quando se deslocavam para a cidade de Teresina, Piauí. O acidente ocorreu no Km 17, da BR-316, as vítimas residiam a Rua 1, n° 49, na Unidade 201, da Cidade Operária. Por volta de 7h30, chegou à sala de necropsia do IML o corpo de Itamar Carvalho da Silva, 41, morador do povoado Chega Tudo, s/n, Centro Novo Maranhão, também vítima de acidente de trânsito, procedente do Socorrão 2. No mesmo horário, foi registrada a morte de Lucas de Sousa Lima, 26, morador da Rua Dr. Jansen, n° 5, Liberdade, vítima de traumatismo craniano.

Por volta de 11h, foi levado para o IML o corpo de Alexandre Pablo dos Santos Mendes, de 10 anos, morador da Rua da Liberdade, n° 101, Bairro de Fátima, também vítima de acidente de trânsito. O corpo foi procedente do local, na Rua Dom Pedro I, no mesmo bairro.

Domingo de Páscoa – Às 3h, de domingo (8), os corpos de Elzilene de Souza Mendes e Kaune de Souza Mendes, ambos de 5 anos, chegaram ao IML, sob suspeita de envenenamento. As vítimas residiam na Rua São João, s/n, Vila Nenzim, município de Barra do Corda. Meia hora depois foi registrada a morte de Ismael Lobato Franco Junior, 23, morador da Rua do Cajueiro, n° 43, Paço do Lumiar, vítima de arma branca. O corpo foi procedente do Maiobão. No mesmo horário, também chegou ao IML o corpo de Valdinei de Jesus Santos, 63, vítima de acidente de trânsito, transferido do Hospital Guarás – Avenida Kennedy.

Às 7h50 chegou à sala de necropsia do IML o corpo de Cleonte de Jesus Gomes Santos, de 24 anos, vítima de arma de fogo, na Maioba. O jovem foi atingido com um tiro no tórax e estava internando no Socorrão 2. Por volta de 12h12, foi a vez do corpo de João Diniz Pereira, 23, que foi alvejado com vários tiros. A vítima foi levada do Hospital Municipal Djalma Marques, o Socorrão 1, e residia a Rua Boa Vista, n° 2, no Bairro da Fé em Deus. No mesmo horário, foi registrada a morte de osé de Ribamar Guimarães Ramos, 54, morador da Rua Miragem do Sol, Edifício Linha do Horizonte, Renascença II, que recorreu a suicídio.

Por volta de 16h50, de domingo, chegou ao IML o corpo de Roberto Lopes Martins, de 22 anos, vítima de afogamento. Ele residia na avenida principal, n° 50, Guarapiranga – São José de Ribamar. Às 22h, foi a vez do corpo de Denilson Pereira Penha, de 25 anos, morador da Rua Zuleide Bogéa, n° 13, Alemanha, ser levado para o IML, após ser alvejado com cinco tiros, sendo quatro na cabeça e um nas costas. O fato ocorreu na Rua 4, daquele bairro.

Às 3h27 de ontem (9), o corpo de José Vicente Costa Leite, de 36 anos, morador da Avenida São José, s/n, Loteamento Todos os Santos, chegou à sala de necropsia do IML. Ele morreu após ser alvejado por disparos efetuados na Avenida São José, Vila Cafeteira – Maiobão. No mesmo horário, foi registrada a morte de Carlos dos Santos Almeida, 32, procedente da Rua Arimatéia, no Monte Castelo. Ele foi vítima de arma de fogo e residia na 2ª Travessa Castro Alves, no referido bairro. Também às 3h27, foi levado ao IML, vítima de atropelamento, José Murilo Soares, 67. Ele residia na 2ª Travessa São José, n° 32-A, no Pão de Açúcar.





Alerta oposição. Renovação da oligarquia Sarney começa por Timon



O deputado estadual Alexandre Almeida anunciará nesta terça-feira, 10, se pretende mesmo disputar as eleições deste ano como candidato a prefeito de Timon. Pouco dias atrás, o deputado diz ter recebido o convite da governadora Roseana Sarney para integrar a lista dos pré-candidato do grupo alinhado [...]



 O deputado estadual Alexandre Almeida anunciará nesta terça-feira, 10, se pretende mesmo disputar as eleições deste ano como candidato a prefeito de Timon. Pouco dias atrás, o deputado diz ter recebido o convite da governadora Roseana Sarney para integrar a lista dos pré-candidato do grupo alinhado ao governo do estado na cidade.

É incrível o poder da disfarçatez dos membros da oligarquia que há 50 anos escraviza o Maranhão. O senador Sarney e sua filha preparam a quase 10 anos um pupilo, porque não dizer, filho da oligarquia para sucedê-los e perpetuar um modelo de dominar através da corrupção dos poderes e do coronelismo que tanto corrói a democracia e empobrece a sociedade.

Esse filho querido, como disse, há 10 anos está sendo gestado em Timon; trata-se do deputado estadual Alexandre Almeida. Eleito vereador em 2004, Alexandre logo tratou de alinhar-se com a prefeita Socorro Waquim. Inteligente e arrojado, o pupilo sarneysista cumpriu seu mandato de vereador com destaque e alguns bons projetos. Nascia daí uma esperança na governadora Roseana de que ali estava uma promessa de renovação para a oligarquia de seu pai.

Então, o pupilo da oligarquia planejou voos mais altos. Candidatou-se a deputado estadual em 2006, obteve poucos votos, mas consolidou uma pequena base eleitoral. Brigado com o primo, o também vereador Jeconias Moraes, Alexandre não se candidatou em 2008. Na eleição para deputado estadual em 2010, o pupilo sarneysista fez as pazes com o primo, vereador Jeconias, que até então era aliado de Jackson Lago que dispensa comentários. Quais as bases do acordo de Alexandre com Jeconias? Sabe-se que hoje muitos apoiadores do grupo de Jeconias estão com cargos no governo Roseana. Inclusive a esposa do vereador Jeconias tem um cargo importante no governo de Roseana Sarney. Será que Jeconias Moraes aderiu de vez à oligarquia que ele tanto combateu quando se dizia amigo de Jackson Lago?

Voltando para 2010, o pupilo sarneysista foi buscar apoios para sua candidatura a deputado estadual fora do município de Timon, tendo como seu principal cabo eleitoral sua “rainha”, Roseana Sarney. Mas a surpresa seria a conquista de seu príncipe, tão forte quanto a rainha do reino Sarney. Alexandre foi apoiado por Fernando Sarney, aquele que a Polícia Federal e o ministério público conhece tão bem; aquele que mandou calar a boca da imprensa; aquele que é o “empresário” da família Sarney. Com uma rainha e um príncipe como apoiadores, o pupilo da oligarquia elegeu-se deputado estadual do Maranhão. O povo de Timon jamais participou dessa aberração, dando menos de 9.000 votos ao pupilo. Pobre Maranhão. Logo Alexandre é escolhido relator do orçamento na assembleia legislativa. Adivinha com o apoio de quem? Ora, rainha e príncipe nunca perdem a majestade, nem o poder.

A fatura do apoio em 2010 já tinha estrutura para ser cobrada. Leia a peça do orçamento do estado do Maranhão defendido e elaborado pelo pupilo sarneysista que saberás para onde foram alocados os maiores recursos. Será que Fernando Sarney iria investir em Alexandre de graça? Leia nos próximos capítulos.

(POR JERRY MAYNER)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Farra no Senado, povo banca até o Nescau do Sarney


Depois de Roseana gastar mais de meio milhão com vinhos, picolés, chocolates e outras besteiras, desta vez foi seu pai o presidente do Senado José Sarney que abriu uma licitação para gastar mais de 100 mil reais com produtos de primeira necessidade para seu gabinete como Nescau, biscoito e ché de boldo.





Farra no Senado


Povo banca até o Nescau de senadores
DA REDAÇÃO

O Senado abriu licitação para gastar até R$ 106 mil na compra de “gêneros alimentícios de primeira necessidade” para o gabinete do presidente José Sarney e para o atendimento das excelências no cafezinho do plenário da Casa. Depois de bancar o celular, o carro, o restaurante, as viagens, o plano vitalício e integral de saúde e toda sorte de benesses, descobre-se agora que o Senado banca (com o seu dinheiro) até o Nescau das excelências. A informação é da coluna "Radar Online", do jornalista Lauro Jardim, em Veja.

Na lista de 29 itens que deverão ser fornecidos ao Senado, no prazo de um ano, consta, por exemplo, a previsão de gasto de R$ 728 com achocolatado em pó, R$ 10.560, R$ 2.600 em biscoito de leite e R$ 1.470 no chá de boldo, além de outros produtos como sucos, leite, café solúvel, queijo e presunto

Fantástico detona os 18 salários recebidos pelos deputados do Maranhão



Quando o assunto é reduzir gastos nas assembleias legislativas, tem deputado que não quer conversa. A discussão sobre a redução começa no Congresso Nacional, onde deputados e senadores recebem 15 salários por ano, o que dá mais de R$ 400 mil por ano. 

Um projeto já aprovado em comissão no Senado e que ainda aguarda votação, baixa o total de 15 para 13 salários. 

“Não é justo que um parlamentar tenha vantagens salariais maiores do que os normais, do cidadão comum”, defende o conselheiro da ONG Transparência Brasil, David Fleisher. 

Se aprovado no Congresso, o corte do 14° e do 15° salários deverá se estender a todas as assembleias estaduais. 

Hoje, pelo menos nove estados brasileiros pagam 15 salários por ano aos parlamentares. Algumas assembleias já começaram a cortar para 13, como a do Paraná. Mas em Goiás, foi o ministério público que entrou na Justiça para suspender os salários extras. 

“Se a constituição não previu esse pagamento, na forma de ajuda de custo, chamado também de ‘auxílio-paletó’, então não pode ser efetuado o pagamento”, explica o procurador geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres Neto. O caso ainda está sendo julgado. 

Verba indenizatória 

Verba indenizatória é o dinheiro a que o parlamentar tem direito para pagar despesas como alimentação, divulgação e aluguel de carros, entre outras, além do salário. 

No Congresso Nacional, o valor mais alto é pago aos senadores, R$ 41.844,45 por mês, por parlamentar, incluindo passagens aéreas. 

Na câmara dos deputados, esse valor é de R$ 32.789,41. Mas, no Piauí, a verba indenizatória dos deputados estaduais, que era de R$ 50 mil, passou este ano para R$ 80 mil, quase o dobro do que recebem os senadores. 

Segundo o especialista em contas públicas, David Fleischer, ter acesso a tanta verba desgasta a imagem dos parlamentares. “Ele passa a imagem de que ele é impune e de que ele pode fazer praticamente qualquer coisa e que na verba indenizatório ele pode pendurar qualquer recibo”, afirma ele. 

Na assembleia do Maranhão, tem deputado que reclama do salário de cerca de R$ 20 mil por mês. Mas no estado os deputados recebem bem mais por ano que a soma dos 12 salários mensais. É que na assembleia legislativa do Maranhão, os parlamentares recebem ainda o 13°, 14°, 15°, 16°, 17° e até 18° salário durante o ano. 

“Muitas vezes nós tiramos do nosso próprio salário para servir à população”, diz a deputada estadual Graça Melo. Segundo a presidência da assembleia, os deputados maranhenses aguardam a decisão dos cortes no Congresso Nacional para reduzir os próprios salários, mas nem todos querem falar disso publicamente. 

Os deputados estaduais maranhenses recebem ainda R$ 1.050,00 por mês de complemento para o plano de saúde. Detalhe: ex-deputados também recebem. No ano passado, foram mais de R$ 428,133,16 gastos com os ex-parlamentares. Na assembleia legislativa do Amapá, os 24 deputados recebem, por ano, 15 salários de R$ 20.042,00. 

Segundo o IBGE, o estado é um dos menos contribuem na soma do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, apenas 0,2%. Mesmo assim, em menos de um ano, os deputados do Amapá decidiram aumentar a chamada verba indenizatória de R$ 30 mil para R$ 100 mil mensais, ou seja, cada deputado têm à disposição 1,2 milhão de reais por ano para cobrir gastos extras. 

Para receber o dinheiro, basta apresentar notas fiscais e pedir reembolso. A Polícia Federal e o Ministério Público estão investigando o uso dessas verbas. 

“Como as verbas ainda não têm a comprovação de seus gastos, nós não podemos dizer que elas são regulares, que elas são legais. Nós achamos que é muito alto o valor para uma comunidade como a nossa, um estado como o nosso, em que se soma uma verba de R$ 100 mil mais uma verba de gabinete de R$ 30 mil, fora os salários”, diz a procuradora geral da Justiça, Ivana Lúcia Fraco. 

Em um dos postos de combustíveis que presta serviços à assembleia legislativa do Amapá, em apenas um ano, foram emitidas mais de R$ 500 mil em notas fiscais para os deputados que pediram reembolso com a verba indenizatória. Entre os sócios da empresa, está um deputado. O nome dele é Michel Houat Harb, conhecido como Michel JK, aparece no contrato social do posto, mas o gerente diz que ele não é sócio do estabelecimento.

Já o deputado Edinho Duarte apresentou notas fiscais para pedir reembolso com despesas de divulgação em vídeo e em um jornal local. Segundo relatório da Polícia Federal, a produtora de vídeo pertence à esposa do deputado, e o jornal, ao filho dele. 

A equipe do Fantástico tentou falar com os deputados Edinho Duarte e Michel JK, mas eles não retornaram as ligações. Segundo o Ministério Público, deputados da assembleia do Amapá têm ainda o direito à maior diária do país durante as viagens. São até R$ 2.600,00 por dia, se a viagem for dentro do próprio estado. 

A diária do hotel mais sofisticado do Amapá é de R$ 280 e o prato mais caro, o tucunaré na manteiga, custa R$ 100 e dá para seis pessoas. Sobrariam mais de R$ 2.100 da diária. Segundo a Polícia Federal, em um ano, os deputados chegaram a receber quase R$ 4,5 milhões nas viagens pelo estado.


Pedro Simon detona Sarney na Revista Veja






Confira entrevista do senador Pedro Simon publicada à Revista Veja:

O senador Pedro Simon é um iluminado. Fundador do MDB, participou da oposição à ditadura militar, cerrou fileiras pelas Diretas Já e foi um dos protagonistas da ofensiva que resultou no impeachment do então presidente Fernando Collor. Com meio século de vida pública, esse gaúcho de Caxias do Sul teria motivos de sobra para festejar a atividade política. Mas ele não vê razões para celebrar. Simon é hoje um retrato acabado do desanimo com a classe política e com o fisiologismo que governa a relação entre o Poder Executivo e o Congresso. O desalento só é deixado de lado quando o senador fala da mobilização popular como a sua derradeira esperança para mudar as atuais regras do jogo.

O senhor foi um dos maiores críticos do PT no governo. Que avaliação faz da administração da presidente Dilma?

Estou gostando muito, principalmente quando a presidente diz que não vai aceitar o toma lá dá cá. Esse é o grande fato novo na política. Ela já afastou ministro e tem mostrado que quer um entendimento, mas não aceita imposição. O caso mais típico foi o do PR. Sete senadores do partido deixaram a base porque queriam e não conseguiram continuar mandando no Ministério dos Transportes. Nos governos anteriores, quando isso acontecia, o presidente capitulava. A Dilma quis mostrar que existe um novo método de governar. Isso levou a um choque com os comandos partidários e do Congresso, porque o troca-troca viciou: vota-se aqui, ganham-se as emendas, vota-se ali, nomeia-se o fulano.


O senhor acredita que a presidente vai acabar mesmo com o toma lá dá cá?

Não acredito. Pode até melhorar um pouco, mas acabar não. O que não pode mais, e a presidente está sinalizando nessa direção, é os caras colocarem interesses pessoais acima dos interesses da pátria e da sociedade. É difícil mudar essa prática de uma só vez. Fazer isso exige mais jogo de cintura. A Dilma não pode ser durona, bater na mesa. Vejo-a dizendo que se entende muito com o presidente do Congresso, o senador Sarney. A primeira pessoa a quem ela deveria fazer um apelo é o Sarney. Ele indicou dois ministros do Maranhão. Onde está a racionalidade de ele e o PMDB, o meu partido, terem dois ministros do Maranhão?


Por que Sarney abriria mão de poder?

O Rui Barbosa é o nosso grande patrono no Senado, mas como político foi um homem de derrotas. Perdeu duas vezes a eleição para presidente da República e não tinha influencia no governo. Quem mandava e elegia presidente era o (José Gomes) Pinheiro Machado (gaúcho e um dos mais influentes políticos da Primeira república, foi assassinado em 1915), de quem hoje ninguém fala. O Sarney está mais para Pinheiro Machado do que para rui Barbosa. Vai acabar esquecido pela história.

O senhor elogia o governo e critica o ministério. Não é contraditório?

O ministério é fraco, um dos piores que já vi. Antes, colocavam-se no ministério os melhores nomes do Parlamento. Hoje, o ministério consegue ser pior do que a média do Parlamento, que beira a mediocridade. No esforço de eleger Dilma Rousseff presidente, valeu tudo. O Lula fez acordo aqui e ali, e houve uma despreocupação com relação à seleção dos nomes. Houve também irresponsabilidade dos partidos na indicação dos ministros. O PMDB indicou um rapaz que tinha pago conta de motel com dinheiro público. Aliás, o PMDB não. Volta e meia se publica que a bancada do Senado exige algo para o ministério. Mentira. Nunca nos reunimos para escolher um cargo. Essa decisão foi tomada pelo presidente do Senado e pelo líder da bancada falando em nome de todo mundo.


Como o PMDB se transformou na marca do fisiologismo?

Deus me perdoe, mas é porque os bons homens se foram: Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Teotônio Vilela, Miguel Arraes, Mário Covas. Se esses tivessem ficado e outros tivessem morrido, o Brasil seria diferente. Se analisarmos no contexto do Congresso, ocorreu mais ou menos a mesma coisa. Aquele pessoal que iniciou o PT está todo fora. Faz falta aquele PT que se comportava de maneira competente como oposição. O partido hoje é de uma gente que não sei de onde veio. Aliás, oposição hoje também não existe mais, o que é muito ruim para o país.


O senhor não está pessimista demais com o momento político?

Os poderes estão todos nivelados por baixo. O Judiciário, que sempre esteve em um nível bem superior, foi rebaixado nos últimos tempos a um patamar igual ao nosso, do Parlamento. É avaliado bem abaixo da presidente Dilma e igual ao Legislativo.

Nada o anima?

Há alguns sinais que me animam. Estou há cinquenta anos na vida pública e – tirando as lutas pelas Diretas Já e pela Anistia – não vi momento tão interessante como o que estamos vivendo agora. O povo conseguiu sensibilizar e pressionar pela aprovação da Lei da Ficha Limpa. Votamos porque o povão pressionou, entrou nas redes sociais e estava na rua. O Supremo votou porque a gurizada estava lá na porta. Esse é um fato novo que muda tudo.

Por quê?

Um bando de gente não vai poder ser candidato. O PMDB, por exemplo, está recomendando aos diretórios evitar indicar nomes com problemas com a Justiça. É o primeiro passo para terminar com a maior maldição do Brasil, que é a impunidade. Porque a maldita diferença entre nós e o mundo civilizado é que, quando o cara é condenado, aqui ele recorre à segunda, terceira, quarta, quinta, sexta instâncias, até o Supremo. Nesse espaço de tempo, o crime prescreve e ninguém é condenado. Na Europa e nos Estados Unidos, se for condenado, vai para a cadeia. Pode recorrer, mas está na cadeia.


O que falta para que os avanços sociais que estamos experimentando cheguem à política?

Para derrubar a ditadura, avançamos quando a sociedade avançou. O mesmo aconteceu no impeachment. Ele só deu certo porque o Collor pediu ao povo para ir para a rua de verde e amarelo, e o povo foi de preto, de luto. As grandes mudanças só ocorreram quando o povo participou. Não se espere nada do Congresso, do Legislativo e do Executivo se o povo não estiver à frente.

Mas o Congresso não deveria exercer esse papel catalisador?

Eu trouxe um mar de gente para a vida pública: jornalistas, intelectuais, membros de tribunal. Mas na última eleição não trouxe ninguém. Estavam todos com nojo. As pessoas estão se afastando da política. É aquilo que o doutor Ulysses dizia quando reclamavam da qualidade do Congresso: “Esperem para ver o próximo”. Estamos caminhando nesse sentido. Com essa história do nosso amigo senador (Demóstenes Torres), estou recebendo um bolo de cartas e telefonemas dizendo que agora so falta eu. É o pessimismo das pessoas. Eu botava as duas mãos no fogo pelo Demóstenes. Ele era um exemplo de competência parlamentar.

O senhor faz algum prognóstico sobre o destino político dele?

Com todo o respeito, se as coisas que estão aí se confirmarem, ele deve ir para casa. Se tudo isso for verdade, o senador é um excelente ator. Mas tenho obrigação de esperar as explicações dele antes de qualquer julgamento. O fundamental é o Congresso sair ileso, o Senado Mostrar transparência. O Demóstenes está pedindo para analisarem, julgarem e fizerem o que tem de ser feito. Se as acusações forem provadas, não há outro caminho que não a renúncia ou a cassação.

Por que o senhor diz que há um nivelamento por baixo das instituições?

As instituições foram vulgarizadas nos últimos anos, principalmente no governo do PT. Todos os meses vocês fazem reportagens demonstrando casos de corrupção e não acontece nada. O cara não é condenado e também não é absolvido. No Judiciário, surgem denúncias sobre juiz que vende sentença, outro que recebeu não sei o quê, e não acontece nada. Como vamos aceitar isso? Aparece uma notícia como aquela do Fantástico, completa, indiscutível. Se não tomar cuidado, o diretor do hospital vai acabar demitido, e o jornalista vai para a cadeia, porque no Brasil termina assim.


O poder corrompe?

Parece que a tentação é grande. Eu vi o início do PT. Os caras andavam de pé descalço, caminhavam pelas ruas fazendo campanha em troca de nada, era um troço sensacional. Nos oito anos do Fernando Henrique, o PT foi um baita de um partido na oposição, até exagerado. Aí foi para o governo e ofereceu ao carinha de chinelo, que trabalhava feito doido em troca de comida, um cargo de 9 000 reais. Então apodreceu. O poder corrompe, sim. O poder total corrompe totalmente. O PT desmontou, desapareceu. Se o Lula tivesse posto o Waldomiro Diniz na rua quando ele apareceu na televisão recebendo dinheiro do Carlinhos Cachoeira e tratando de porcentuais, não teria havido o mensalão. Eu entrei com pedido de CPI, mas o Lula e o Sarney lutaram para não deixar cria-la. Fomos ao Supremo e depois de um ano ganhamos, mas era tarde.

Quem mudou mais, o PT ou o PMDB?

Eu diria que os dois ficaram muito parecidos – para pior. O PMDB deixou passar vários trens da história. O pior que aconteceu com o PMDB foi a maldade que o Tancredo fez conosco. Nosso acordo não previa a morte do Tancredo. Ele morre e deixa o Sarney. Ali o nosso destino mudou. Tancredo presidente, todos os governadores, com exceção do de Sergipe, eram do PMDB, tínhamos a maioria na Câmara e no Senado. Era uma grande oportunidade. Com o negócio do Sarney, mudou tudo. Já me convidaram até a sair do partido. Mandaram uma carta com muita elegância dizendo que se eu saísse seria numa boa, ninguém ia me pedir o cargo. Eu disse que não ia sair, porque eles estavam de intrusos e eu fundei o partido.

Qual será a importância do mensalão para o Brasil?

Vital. O relator foi muito sério, muito competente. Faço um apelo a ele para ser o mais breve possível, porque temos de votar neste ano. Vai ser a coisa mais triste do mundo prescrever e não for votado. Esse julgamento será o maior momento da história do Supremo. Isso não quer dizer que tenha de condenar ou absolver, mas é preciso fazer um julgamento de gabarito, de peso, de seriedade. O importante é julgar. Eu tenho convicção de que se vai julgar com a consciência e não tenho dúvida de que pelo Brasil inteiro as pessoas vão estar olhando.

Este é seu último mandato?

Em tese, sim. Não pretendo concorrer de novo. Na próxima eleição estarei com quase 85 anos e prefiro sair vivo a morto.

Pega na mentira



Por: Chico Viana

É instigante procurar uma explicação sobre o porquê de o senador Sarney manter um inegável prestígio eleitoral durante décadas no Maranhão, tido e havido, como o dono e protetor deste Estado, senhor feudal de um feudo miserável que o tinha, pelo menos aos olhos distantes, como um político incensado e querido pelo seu povo.

Das posições políticas, dos métodos, da arte de se manter sempre no poder qualquer que fosse a natureza deste, sempre servindo aos seus propósitos, o Brasil inteiro sabia.

Só que o que dizia fora aqui não chegava e o que se passava aqui, fora não ia.

Mesmo hoje, não muitos sabem das posições tomadas pelo ex-presidente ao longo de sua vida pública, expressa em afirmações, muitas assombrosas, que nunca admitiria que as proferiu, se cotejado com sua postura na província.

Ferido uma vez quando teve que procurar outro estado para permanecer na vida pública, abatido moralmente, virou senador do Amapá. Mesmo mantendo o mandonismo em nossa terra, o fato é que a verdade escamoteada veio à tona, reforçando ainda mais o que os maranhenses pouco sabiam, e que, na época, com a repercussão da derrota, o Brasil soube mais: o Sarney que o Brasil conhecia, finalmente os maranhenses começaram a tomar conhecimento.

Vamos lá então, entre o que foi dito lá e o que foi dito cá pelo Dono do Mar.

Do que foi dito aqui, basta que fiquemos com a afirmação em sua posse ao governo do Estado em 1966: “Chegamos ao poder dispostos a subverter a desordem que campeia em tão miserável quadro. Quarenta anos depois continuamos o Estado mais miserável do Brasil. Lá fora poucos sabiam, aqui a gente sofre a verdade. Exagero? O então governador de Moacyr Andrade, ajudou convencer o povo de Alagoas a eleger Collor, em 1989, com o seguinte argumento: Alagoas tem que ser para Collor o que o Maranhão foi para Sarney.

Mas voltemos a biografia do Sarney por suas próprias palavras.

Em 1971, o democrata afirmou alto e bom som, assumindo a ditadura: “O AI-5 é uma transição imposta pela necessidade da defesa de valores maiores”. A coisa estava preta e não convinha arriscar, mesmo que fosse para sacramentar a maior abominação da história do país, a lei que autorizou o fechamento do congresso, legalizou tortura e mortes horríveis, acabou com todas as liberdades, colocou os cidadãos brasileiros num grande campo de concentração nazifascista. Chancelado pelo Sarney

Tanto que quando Geisel, que havia anunciado a famosa distensão lenta e gradual, cassou um deputado Wilson Campos que havia sido absolvido pelo Congresso, justificou como porta voz do amo da vez: “a distensão vai fazer uma pausa para reavaliação”. E havia votado contra a cassação.

Em 1979 quando os exilados começaram a regressar ao país, temerosos, pois ainda vigia a arbítrio, perguntaram-lhe sobre a segurança dos que se arriscavam, especificamente sobre o “irmão do Henfil” da música o Bêbado e o Equilibrista. Disse o então presidente da Arena: “Entre minhas atribuições como Presidente da Arena, não se inclui a de profetizar o que pode acontecer com o retorno deles”.

Já começando a fazer água no barco, em 1980, precatou-se: “Não é o partido”, – o PDS do qual já era presidente -, que é do governo, mas o governo que é do partido”. Trocadilho infame em que a emenda saiu pior que o soneto. Ou seja, o partido do qual era presidente assumia plenamente o governo ditatorial e seus atos.

Nesse mesmo ano, considerou a visita do Papa João Paulo II incômoda, afinal o Pontífice pregava justamente tudo o que a ditadura tinha feito e continuava fazendo e o senador era o Presidente do Partido que havia assumido as mazelas do governo: E disse: “Todos estaremos melhores quando o Papa tiver embarcado de volta a Roma”.

Será que alguém no Maranhão sabe que, no auge da campanha das diretas, o senador Sarney saiu-se com esta pérola? “O partido não se suicidará como Tim Jones, aprovando a volta das eleições diretas para Presidente”. Pois disse.

Depois que o plano cruzado naufragou, e os fiscais do Sarney e que Henfil sugeriu que o “botton” deveria ser substituído de eu Sou fiscal do Sarney por eu sou Agiota do Sarney, e ele que fomentou uma inflação de 80% ao mês, pregava “Vamos dar combate à inflação cortando centavo por centavo”. Em 1987, utilizou a estratégia de vítima: “Não me perdoam por ter chegado ao Governo em cima do cadáver de Tancredo Neves”. Coitadinho.

O povo sofrendo na rua e ele não se dava por achado: “Para não termos sangue e lágrimas, tem que haver suor e sacrifícios”. Dele é que não era.

No mesmo ano, sempre vaidoso, quando o ônibus em que estava com uma comitiva foi apedrejado no Rio, afirmou folgazão: “O povo não está com raiva de mim, está com raiva do ônibus”. Tá certo…

Em 88, cobrado por algum incauto sobre suas origens e o rumo arbitrário que o governo estava tomando, justificou: “O governo está indo para a direita por causa da esquerda”.

E diante da baderna generalizada que marcou o fim do seu governo, teve um rasgo de humildade, mas não queria afundar só: “Vamos admitir que o culpado seja eu, quem são os inocentes?”. O povo, inocentes e vítimas, cara pálida.

Mas o homem não se dava mesmo por vencido. No mesmo ano, na esteira da prorrogação dos mandatos, proclamava: “Não tenho ambição nenhuma pelo poder”. Irritado, Lula sugeria que ele, se quisesse o cargo fosse disputá-lo no voto e arrematava: “Tenho certeza que seus votos não vão dar para encher um penico”. Hoje são unha e carne.

Na campanha contra Lula, Collor foi forte: “O senhor é um político de segunda classe que pegou carona na história”, referindo-se a Sarney no horário eleitoral. Eleito, não é que Collor recebeu a visita de Sarney que, pesaroso foi lhe profetizar: “O senhor será o que eu fui, da mesma forma que fui o senhor será”. E foi. Mas quando a coisa virou contra Collor o “impeachment” praticamente decidido, já sem nenhum risco de retaliação, transformou-se e foi testemunha de sua profecia realizada: “Fernando Collor será expulso da história pelo comportamento sórdido com que mancha a vida Republicana”. Acertou na mosca.

Querem mais?

Bom esta pesquisa parou em 1994.

Ainda tem muito mais, fica para outro dia.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Te cuida Fernando Sarney! Inquérito da Operação Boi Barrica vai voltar


STF vai julgar reabertura do inquérito da Operação Boi Barrica
Em causa validade de quebra de sigilo pelo Coaf
Jornal do Brasil

Filho do presidente do Senado José Sarney é acusado de formação de quadrilha
e lavagem de dinheiro.

O vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Felix Fischer, admitiu recurso extraordinário do Ministério Público Federal contra decisão da 6ª Turma do mesmo tribunal que, em setembro do ano passado, anulou a quebra de sigilo baseada apenas em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ao julgar habeas corpus em favor de João Odilon Soares Filho, investigado em operação da Polícia Federal que também envolveu Fernando Sarney (filho do presidente do Senado, José Sarney) e sua mulher, Teresa Cristina Murad Sarney.

Com a decisão do ministro Fischer — publicada no Diário da Justiça desta segunda-feira — o recurso admitido será agora julgado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. As investigações — iniciadas em 2006, e que culminaram com a Operação Boi Barrica — tiveram como objetivo apurar suspeitas de lavagem de dinheiro e de crimes contra a ordem tributária durante a campanha eleitoral para o governo do Maranhão.

Movimentações atípicas

A 6ª Turma do STJ entendera que o relatório de inteligência financeira do Coaf indicava apenas movimentações atípicas, e não a ocorrência de crimes. E que a polícia não teria demonstrado a impossibilidade de uso de outros meios de investigação que não a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico.

De acordo com os ministros da turma, a quebra dos sigilos foi “a verdadeira origem da investigação”, e foi usada “sem demonstração concreta de sua necessidade”. Assim, considerou que todas as provas decorrentes da quebra de sigilo irregular também estavam contaminadas pela ilegalidade, e não poderiam ser usadas no processo.

MPF

Mas, para o MPF, a decisão no nível de turma violou dispositivos da Constituição e, por isso, o caso deveria ser analisado pelo STF. O MPF alega que o argumento da 6ª Turma quanto ao esgotamento de outros meios de prova, como condição para a quebra de sigilo, é “frágil” e “insustentável”.

A decisão do ministro Felix Fischer, publicada nesta segunda-feira, reconheceu a existência dos pressupostos de admissibilidade do recurso, como a preliminar formal de repercussão geral da questão, e determinou a remessa dos autos ao STF.